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Notícias / Branco, rosé ou tinto?

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Branco, rosé ou tinto? A resposta não é tão simples como parece. Os benefícios do vinho para a saúde, de uma maneira geral, guardam uma relação direta com o baixo teor alcoólico, a alta taxa de polifenóis totais e a capacidade antioxidante. Seria interessante o consumidor conhecer todos esses dados, não apenas o teor alcoólico. Isso é tecnicamente fácil de saber.

O álcool, em doses que o organismo consegue metabolizar, não causa dano e tem efeitos benéficos para a saúde. Ele aumenta o bom colesterol, diminui a adesividade das plaquetas (o que está implicado diretamente no infarto do miocárdio, derrame cerebral e outras tromboses e embolias), diminui a resistência das células à ação da insulina, aumenta o efeito dos osteoblastos (células que formam o osso), diminui dos osteoclastos (células que destroem o osso), além de outros.

Os polifenóis do vinho provêm 90 a 95% das cascas e das sementes das uvas. São eles que dão cor, aroma, buquê e estrutura aos vinhos. Se retirarmos os polifenóis dessa bebida, teremos um líquido incolor com a mesma graduação alcoólica e um aroma e gosto muito forte de álcool. O principal solvente e responsável pela extração dos polifenóis das uvas é o álcool. A temperatura durante a fermentação também influi na quantidade deste importantíssimo componente do vinho. Os vinhos tintos, ao contrário dos brancos, são fermentados na presença das cascas e das sementes das uvas. É por isso que eles têm mais polifenóis e, em tese, mais interferência na saúde humana que os roses e esses, por sua vez, mais que os brancos.

Os efeitos dos polifenóis sobre a saúde advêm de uma potente ação antioxidante. Eles neutralizam e eliminam os Radicais Livres com muita competência. Essa ação é direta e também indireta porque aumentam substâncias no organismo que fazem a mesma coisa. A maioria dos estudos que comparam os efeitos do vinho tinto com o rose e o branco mostra que os tintos têm uma ação mais intensa. Mas às vezes não. Alguns cientistas encontraram efeito similar nos vinhos brancos, rosés e tintos e, em algumas ocasiões, até maior nos brancos. A explicação que se tem para isso é a ação indireta do vinho. Ele também age desencadeando outros mecanismos antioxidantes como bem mostraram a Drª. Maria Soledad Fernández-Pachón e suas colaboradoras, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Sevilha, na Espanha. Para isso a quantidade de polifenóis não é tão importante, basta a sua presença.

As vitaminas, as proteínas e os oligoelementos presentes no vinho também têm ações sobra a nossa saúde, mas elas são pouco estudadas e parecem não ser as mais relevantes.

A absorção, a metabolização, a biodisponibilidade e o mecanismo de ação dos vários componentes do vinho são ainda pouco conhecidos. Também devemos considerar que os vinhos são diferentes entre si e que eles geralmente são ingeridos com alimentos, o que torna tudo mais complexo. É muito difícil – quase impossível – compreender como tudo isso irá funcionar na intrincada engrenagem biológica que é o organismo humano. O Dr. St. Leger e colegas, em 1979, num artigo publicado na conceituada revista média Lancet, já advertia: “Se o vinho tem um ingrediente protetor é quase um sacrilégio tentar isolar essa substância. A formulação já está pronta e é altamente palatável. Só devemos lamentar ainda não poder dar informações aos nossos amigos sobre as vantagens relativas do vinho tinto, branco ou rose”.

Branco, rosé ou tinto? Tanto faz. Beba o que lhe for mais agradável. Faça isso sempre com moderação, junto com uma refeição saudável e uma boa companhia. Saúde!.

Jairo Monson de Souza Filho
Médico

Pergunta do leitor...

Pessoas que têm ansiedade podem beber vinho?

Sílvia Castro

Sim, mas são necessários alguns cuidados. O vinho,  por ter uma ação dopaminérgica tem um efeito tranqüilizante. Mas em hipótese alguma deve ser usado com esse fim. Vinho não é remédio. Tão pouco é adequado para tratamento. Mas ele, se bebido com moderação, tem um efeito favorável na ansiedade e poderá ser usado quando não houver contradições. O vinho faz bem para pessoas ansiosas também por um efeito indireto. O seu consumo convida a uma boa comida, uma companhia agradável e uma conversa prazerosa. E isso é relaxante. Se estiver usando medicamentos, sobretudo para ansiedade, é indispensável conversar com o seu médico, sobre a intenção de beber vinho. Muitos medicamentos, principalmente ansiolíticos, interagem com o vinho e podem constituir-se numa contra-indicação.

Envie sua dúvida para: Jairo@monson.med.br

Fonte: Jornal Bom Vivant – Janeiro/2008

 
     
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